sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Somos amigos do animais?... nem sempre!

Todos os anos nascem ou são abandonados centenas de cães e gatos só no concelho de Santarém.
Entregues a si próprios procuram alimento nos caixotes do lixo ou, em zonas rurais, "visitando" galinheiros e redis de ovelhas com os seus consequentes horrores.
Passam fome, sede, calor e frio, adoecem e ficam atropelados, as fêmeas reproduzem-se livremente tornando o ciclo de animais abandonados infindável.

As Associações de Protecção aos Animais e muitos particulares fazem o que podem, mas os recursos económicos e logísticos nunca conseguirão resolver todos os problemas dos animais abandonados/errantes.

Se tem condições para acolher um Amigo Muito Fiel, contacte a Associação Scalabitana de Protecção aos Animais em Santarém. Se não o puder fazer, alimentos, cobertores velhos e medicamentos serão muito bem-vindos.

Telem.: 917 614 210

domingo, 18 de Fevereiro de 2007

Compostagem: Uma ementa para o solo.

A compostagem é um processo natural de reciclagem e significa a decomposição controlada de matéria orgânica, restos de plantas e animais, formando um produto final semelhante ao húmus, designado por composto.
Com a aparecimento dos fertilizantes químicos, a compostagem caiu em desuso, embora esta tendência se tenha invertido nos últimos anos devido aos efeitos criados no ambiente pelo uso excessivo de fertilizantes de síntese.
A compostagem beneficia o ambiente pela reciclagem que se faz da matéria orgânica, nomeadamente, da matéria proveniente da limpeza das florestas, na prevenção dos fogos.
Para além destes benefícios, há que ter em consideração que a reciclagem que se faz da matéria orgânica prolonga o “tempo de vida útil” dos aterros sanitários. Se considerarmos que cerca de 36% do volume total de resíduos é constituído por matéria orgânica, sendo esta proporção superior nos municípios rurais (dados da DGA, 1994), facilmente depreendemos que, a grosso modo, a proporção atrás mencionada incidirá directa ou indirectamente no aumento dos custos dispendidos no tratamento dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), donde provém a maior parte da matéria orgânica que é depositada diariamente nos aterros sanitários.
A compostagem é, portanto, um processo que para além de reduzir os custos no tratamento dos RSU, poderá ser uma das fontes de fertilizante natural para a valorização e enriquecimento dos solos agrícolas, pois a utilização do composto na fertilização dos solos, dá-lhes consistência, melhorando a textura, reduzindo o escoamento, a erosão e o crescimento de plantas daninhas.

Como se processa:
A duração e extensão do processo de compostagem depende dos seguintes factores:
· Matéria orgânica (O)
· Qualidade de área exposta
· Mistura
· Temperatura
· Relação Azoto/Carbono
· Água e Arejamento

Estes factores são importantes para que as bactérias, fungos e outros organismos que reciclam a matéria orgânica possam alimentar-se e sobreviver. Uma pilha de composto consiste, geralmente, em camadas de MO alternadas com solo. A pilha é normalmente preparada numa estrutura designada por compostor.
Existem diferentes métodos e modos de construção de compostores, dependendo do tempo e energia, do tipo de matéria orgânica adicionada e do espaço disponível para a sua instalação.

Construir um caixote de composto
Materiais:
· Caixote de lixo com tampa com capacidade aproximada de 20 litros.
· Palha, serradura grosseira ou aparas de madeira.
· Rede de arame.

Ferramentas:
· Luvas de trabalho.
· Perfurador/ berbequim.
· Forquilha, pá.

Procedimento:
1- Faça três fiadas de furos de 10 a 15 cm de distância à volta do caixote. De seguida faça vários furos na base do caixote de composto. Os furos permitirão o movimento do ar e a drenagem do excesso de água. Deve colocar uma rede de arame no fundo do caixote e instalá-lo firmemente num solo com boa drenagem.

2- Coloque 5 a 7 cm de serradura grosseira, palha ou aparas de madeira, no fundo do caixote para absorver o excesso de água e deixar o composto drenar.

Este sistema não é o ideal, mas resulta, sendo melhor misturar a MO com frequência, para que a compostagem se processe convenientemente.
Coloque o caixote no jardim, num local abrigado e à sombra, colocando 5 a 7 cm de serradura grosseira ou aparas de madeira para construir a base da camada.
Recolha os restos de comida (vegetais ou fruta), borras de café , saquetas de chá, casca de batata, casca de ovos esmagadas, caroços de fruta e cereais. Podem também colocar palha, restos de plantas e folhas e ervas cortadas não muito verdes.
Os restos de cor castanha incluindo folhas, serradura e palha, fornecem Carbono. Restos de cor verdes, como os vegetais frescos fornecem Azoto. Geralmente, camadas alternadas de cor verde e castanha, com a mesma espessura fornecem essa relação.
Os restos de cozinha deverão ser adicionados na camada rica em Azoto. Após a sua adição, coloca-se uma fina camada de solo, serradura, palha e folhas, para absorção dos odores.
Corte os restos da cozinha e do jardim em pequenos pedaços e cubra com terra. Quanto mais pequenos estiverem os pedaços, mais depressa se dará a decomposição. Nunca se devem deixar os restos de cozinha no cima, pois podem atrair animais.
O conteúdo do caixote compostor deve ser revolvido diariamente com a ajuda de uma forquilha. Este procedimento, favorece o arejamento da mistura e fornece oxigénio às bactérias aeróbias, para que estas possam decompor a matéria orgânica evitando assim, o aparecimento de cheiros desagradáveis, podendo ou não adicionar-se água para assegurar os níveis de humidade adequados. Alimente o composto, não mais de uma ou duas vezes por semana. Feche sempre a tampa depois de o alimentar.
Se forem adicionados restos ácidos, como folhas de carvalho ou pilhas e agulhas de pinheiro, é necessário polvilhar a mistura com um pouco de sal em pó, de forma a neutralizar o Ph do composto.
Nos períodos húmidos, o caixote deve estar fechado. Nos períodos secos e sempre que os materiais colocados no caixote se apresentem secos, deve adicionar-se água, de forma a manter a humidade entre os 40% a 60%. A temperatura, por sua vez, deverá estar entre os 32ºC e os 65ºC. No Inverno a temperatura não deve descer além dos 20/30ºC e no Verão não deverá ultrapassar os 65ºC.
Para testar a humidade, retire uma mão-cheia do composto e aperte-o; se gotejar só uma ou duas gotas, ou deixar a palma da mão húmida, tem-se provavelmente uma humidade suficiente, senão adicione água. Se o composto estiver molhado, poderá adicionar serradura, cal ou pequenas pedras de calcário que ajudam a regular o teor de humidade.
O processo de compostagem demora algumas semanas, podendo variar consoante a temperatura e a humidade mantida durante o processo. O composto no final, deve apresentar um aspecto homogéneo e semelhante a terra.

Nota: A compostagem de restos de cozinha requer cuidados especiais, para evitar ratos, insectos e outros animais e maus cheiros. Para tirar o máximo rendimento do composto, este deve ser aplicado no prazo máximo de um ano, período durante o qual mantém as suas qualidades.

Eng.º Óscar Pires

sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

D. Melra e seus companheiros....

Fui plantando, plantando, regando, podando, alimentando com muito carinho o meu pequeno jardim. Não é um jardim normal, feito com régua e esquadro, certinho, arrumadinho e com as cores das flores a combinar.
Tem mais arbustos do que flores, muito verde, grandes maciços de aromáticas e, claro, as minhas amadas roseiras, essas sim de cores e espécies variadas, algumas de fragrância acentuada.
Cresceu tudo quase sem eu dar por isso, e foi assim criado um pequeno habitat.
Borboletas coloridas, abelhas sempre de volta das alfazemas, pardais sem conta que vêm comer as sementes que ponho na “casinha dos passarinhos” onde aliás já nidificaram por 2 vezes ou matar a sede no bebedouro que tenho para eles.
Mas nem só de visitantes vive o meu jardim! Reparando com atenção, um dia encontrei nos enormes bambus um ninho tão bem feito, tão acolhedor, que um casal de pintassilgos fez. Vi lá a fêmea várias vezes mas ainda não vi ovos nem prole daquela família.
Agora a D. Melra que vive na sebe de cedros já é outra coisa! Aquele casal de melros (supondo que são sempre os mesmos) deveria ganhar um prémio para “super – pais”.
Quando encontrei o ninho tinha três ovos, pintalgados e esverdeados. Mais tarde fui dar com a fêmea lá a chocar. De vez em quando ia espreitar sorrateiramente para não incomodar muito. E assisti ao crescimento das três crias.
Muito feias de início, sem penas e de olhos fechados, tão indefesos. Depois já maiores e com penas, ainda tão frágeis, de bico sempre aberto a piar. E os pais sempre a irem e virem com comida no bico, incansáveis! Assisti também às “lições de voo”. Os pais chamavam por eles, de locais próximos, empoleirados na vedação ou num ramo de uma árvore. E aqueles três desajeitados aprenderam a voar em pouco tempo, tentando a medo, caindo e voltando a tentar.
Como nós um dia também fizemos para aprender a andar.
Estas cenas já se repetiram mais duas vezes, com quatro ovos e quatro crias de cada vez.
E são tantos os visitantes/ residentes no meu jardim: verdilhões, toutinegras, cartaxos, rabiruivos, andorinhas, gaios, abelharucos, mochos galegos, gralhas, as águias planam lá tão perto! Até o esquivo papa – figos foi avistado uma vez!
Tenho música natural de manhã à noite. Um coro maravilhoso!
E lembro-me do que alguém um dia escreveu: “Amo a liberdade, por isso deixo livres as coisas que amo. Se voltarem é porque me amam também, senão é porque nunca me pertenceram.”
Também eu amo a liberdade e por isso deixo livres todas estas aves. Se voltarem é porque gostam, se sentem bem no espaço que eu criei para mim e também para elas. É claro que eles nunca me pertencerão. Pertencemos todos à mãe – natureza.
Os melros, os pintassilgos e todas estas aves que mencionei, não são animais para estarem em cativeiro. São protegidos por lei. Não pactue com uma crueldade enorme nem com esta ilegalidade. Contacte a GNR da sua localidade caso encontre este tipo de aves cativas ou em caso de destruição deliberada de ninhos de andorinhas!
A GNR tem uma secção (SEPNA) que investiga atentados ambientais. Colabore!


Ana Isabel Pinto

“Alecrim, alecrim aos molhos, por causa de ti choram os meus olhos...”

O alecrim é conotado com a tristeza e, em certos países com o luto. Mas é também muito útil, este arbusto nativo da zona mediterrânica que prefere terrenos calcários, podendo ser encontrado um pouco por todo o lado, desde as orlas costeiras, a pinhais e serras, desde que o local seja soalheiro. Pode atingir 1,5 m de altura, tem folhas persistentes e pequenas flores em tons azuis e arroxeados, que aparecem no Outono.

As suas folhas, que devem ser colhidas no Verão e secas à sombra, têm as mais diversas utilidades: combatem dores de garganta e musculares, enxaquecas, são bactericidas, anti-parasitárias, anti-espasmódicas, anti-inflamatórias, estimulam a circulação de sangue (sobretudo para a cabeça, melhorando assim a capacidade de concentração e de memória, e estimulando o crescimento do cabelo), combate a hipotensão, a depressão e facilitam a digestão actuando sobre o fígado e sobre a vesícula.

São utilizadas em chá, em tinturas, em champôs, em sais de banho, em águas de colónia, em óleos e incensos. Também em diversos pratos de culinária são um bom tempero, não esquecendo o mel (atrai as fantásticas abelhas, mas repele os mosquitos irritantes).

Desde a antiguidade que é empregue em diversos rituais desde curas a cerimónias fúnebres, ou até nas nossas tradicionais procissões. Diz ainda a sabedoria popular que trazem sorte à casa, pelo que devem ser plantados no jardim, junto à porta ou portão principal.

Ana Isabel Pinto

O Sapo...

Nos meses de Primavera há muita actividade no campo:

No pomar há que enxertar pereiras, macieiras, ameixeiras e cerejeiras. Até Maio pode ainda plantar-se citrinos (laranjeiras, limoeiros, tangerineiras, etc.) desde que se tenha em atenção que requerem muita rega. Na vinha é a época de terminar o arranjo das terras (lavrar), de combater o míldio e o oídio e de fazer enxertias.

Por todo o lado há que eliminar a erva que a chuva e a humidade do Inverno ajudaram, e muito, a crescer.

É altura de plantar batatas e couves; de adubar os morangueiros; de regar nos dias mais secos (nunca nas horas de maior calor); de semear abóbora, melão, tomate, nabo, pepino, pimento, ervilha, cebola, girassol.

E não esquecer o importantíssimo papel dos “guardiões da horta”, caso das joaninhas (grandes comedoras de pulgões nocivos) e dos sapos (esse animal considerado feio e que causa tanta repulsa). Tomara todo o hortelão ter um na sua horta ou jardim pois ele alimenta-se de insectos destruidores das culturas, prestando assim um secreto e inestimável serviço de prevenção à saúde dos vegetais, serviço esse absolutamente natural e gratuito.

Os sapos são da família Bufonidae e podem encontrar-se em quase todo o Mundo, pertencendo a cerca de 360 espécies, com tamanhos variáveis de 25 mm a 25 cm. Apesar da variedade de tamanhos e cores, todos têm um aspecto corpulento, pernas curtas, estão cobertos de verrugas e não têm dentes.
Normalmente escondem-se em buracos no solo durante o dia, de onde saem à noite para procurar alimento que capturam com a sua língua comprida e pegajosa.
Adaptam-se aos mais variados habitats: solo, água, árvores, dependendo da espécie. A sua reprodução é feita através da postura de ovos, podendo alguns sapos produzir milhares.

O sapo é um animal associado na crendice popular a maldições, bruxarias e veneno. A sua pele de facto segrega produtos desagradáveis, para sua defesa no caso de ser mordido por outro animal, mas ninguém fica envenenado por tocar num sapo, embora seja aconselhável lavar as mãos depois pois pode provocar uma pequena alergia se as mãos entrarem em contacto com os nossos olhos ou boca. Eu própria já peguei várias vezes em sapos (para observar melhor ou retirar da estrada) e nenhum mal me aconteceu.

São animais fascinantes, pacíficos e habitam este planeta há milhões de anos. É frequente, após uma grande chuvada a seguir a um período de seca, avistar muitos sapos atravessando estradas e campo. Há quem diga até que “choveram sapos”.
Trata-se apenas de um movimento migratório em busca dos locais de reprodução, após um período de hibernação.

Tendo nascido em Lisboa e vivido lá grande parte da minha vida, tive a sorte de ter avós no campo, e um avô que gostava de sapos. Tinha eu cerca de 6/7 anos uma noite, estando já deitada, fui por ele acordada para ver “uma coisa no quintal”. Saímos com uma lanterna e lá estava ele, castanho, gordo, de olhos brilhantes, debaixo das couves. O meu avô explicou-me que era um “ajudante fabuloso” a tratar da horta. Acho que foi a primeira vez que vi um sapo. Desde aí sempre o considerei um animal útil e injustamente maltratado. Espero que, ao escrever este texto, passe a mensagem e que as pessoas comecem a “ver o sapo com outros olhos”. Até porque é um animal sempre presente nas nossas vidas:
Tivemos os sapos dos contos de fadas que, quando eram beijados, se transformavam em príncipes; tivemos o Cocas dos “Marretas” na televisão e hoje temos o portal Sapo na internet.

Termino com um pequeno apontamento extraído do poema “O Sapo” escrito em 1911 pelo poeta Afonso Lopes Vieira e publicado no livro “Animais Nossos Amigos”:

“E ao pobre sapo, que é cheio de amor pela terra amiga, dizem-lhe muitos que é feio e há quem o mate e persiga!
E vendo, à noite, passar o sapo cheio de medo, as flores, para o consolar, chama-lhe lindo, em segredo...”

Ana Isabel Pinto