sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

D. Melra e seus companheiros....

Fui plantando, plantando, regando, podando, alimentando com muito carinho o meu pequeno jardim. Não é um jardim normal, feito com régua e esquadro, certinho, arrumadinho e com as cores das flores a combinar.
Tem mais arbustos do que flores, muito verde, grandes maciços de aromáticas e, claro, as minhas amadas roseiras, essas sim de cores e espécies variadas, algumas de fragrância acentuada.
Cresceu tudo quase sem eu dar por isso, e foi assim criado um pequeno habitat.
Borboletas coloridas, abelhas sempre de volta das alfazemas, pardais sem conta que vêm comer as sementes que ponho na “casinha dos passarinhos” onde aliás já nidificaram por 2 vezes ou matar a sede no bebedouro que tenho para eles.
Mas nem só de visitantes vive o meu jardim! Reparando com atenção, um dia encontrei nos enormes bambus um ninho tão bem feito, tão acolhedor, que um casal de pintassilgos fez. Vi lá a fêmea várias vezes mas ainda não vi ovos nem prole daquela família.
Agora a D. Melra que vive na sebe de cedros já é outra coisa! Aquele casal de melros (supondo que são sempre os mesmos) deveria ganhar um prémio para “super – pais”.
Quando encontrei o ninho tinha três ovos, pintalgados e esverdeados. Mais tarde fui dar com a fêmea lá a chocar. De vez em quando ia espreitar sorrateiramente para não incomodar muito. E assisti ao crescimento das três crias.
Muito feias de início, sem penas e de olhos fechados, tão indefesos. Depois já maiores e com penas, ainda tão frágeis, de bico sempre aberto a piar. E os pais sempre a irem e virem com comida no bico, incansáveis! Assisti também às “lições de voo”. Os pais chamavam por eles, de locais próximos, empoleirados na vedação ou num ramo de uma árvore. E aqueles três desajeitados aprenderam a voar em pouco tempo, tentando a medo, caindo e voltando a tentar.
Como nós um dia também fizemos para aprender a andar.
Estas cenas já se repetiram mais duas vezes, com quatro ovos e quatro crias de cada vez.
E são tantos os visitantes/ residentes no meu jardim: verdilhões, toutinegras, cartaxos, rabiruivos, andorinhas, gaios, abelharucos, mochos galegos, gralhas, as águias planam lá tão perto! Até o esquivo papa – figos foi avistado uma vez!
Tenho música natural de manhã à noite. Um coro maravilhoso!
E lembro-me do que alguém um dia escreveu: “Amo a liberdade, por isso deixo livres as coisas que amo. Se voltarem é porque me amam também, senão é porque nunca me pertenceram.”
Também eu amo a liberdade e por isso deixo livres todas estas aves. Se voltarem é porque gostam, se sentem bem no espaço que eu criei para mim e também para elas. É claro que eles nunca me pertencerão. Pertencemos todos à mãe – natureza.
Os melros, os pintassilgos e todas estas aves que mencionei, não são animais para estarem em cativeiro. São protegidos por lei. Não pactue com uma crueldade enorme nem com esta ilegalidade. Contacte a GNR da sua localidade caso encontre este tipo de aves cativas ou em caso de destruição deliberada de ninhos de andorinhas!
A GNR tem uma secção (SEPNA) que investiga atentados ambientais. Colabore!


Ana Isabel Pinto

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